quarta-feira, 17 de junho de 2009

IRMÃ DULCE, SERVA DE DEUS.


Amar e servir aos mais necessitados, como se acolhesse o próprio Cristo. A vida de Irmã Dulce é o testemunho de que a fé e o amor incondicional ao próximo são capazes de superar muralhas e erguer uma obra visionária, inteiramente dedicada a atender àqueles entregues ao desespero por não terem mais a quem recorrer.
O albergue - improvisado em 1946 no galinheiro do Convento das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e que serviu para acolher 70 doentes que ela havia recolhido pelas ruas de Salvador, Bahia - se transformou numa obra grandiosa. As Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) é a maior ONG de Saúde do Norte e Nordeste e a nona do país, atendendo em seus 12 Núcleos a mais de um milhão de pessoas carentes por ano. A entidade preserva ainda intactos os princípios de humanização e qualidade legados pela freira, assim como a disposição de sempre servir, resumida na frase: “Quando nenhum hospital aceitar mais algum paciente, nós aceitaremos. Esta é a última porta e, por isso, eu não posso fechá-la”.
A Causa de Beatificação e Canonização de Irmã Dulce, iniciada oficialmente em janeiro de 2000, pelo arcebispo de Salvador e cardeal primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, busca o reconhecimento, por parte da Igreja Católica, das virtudes e da determinação incansável com que a religiosa dedicou sua vida aos mais necessitados. No mesmo período, o Papa João Paulo II a distinguiu como Serva de Deus.
A fase Diocesana do processo (relativa à Salvador) durou um ano e meio. O trabalho foi desenvolvido pelos integrantes do Tribunal Eclesiástico - instituído por Dom Geraldo também em janeiro de 2000 - e pela Comissão Histórica (que coletou cerca de 5.000 páginas de depoimentos e documentos). O material - que atesta a fama de santidade em vida e as virtudes heróicas e cristãs da religiosa, sua fé, dedicação e perseverança na sua missão de assistência a crianças, doentes e idosos - foi recebido em Roma pelo chanceler da Congregação para a Causa dos Santos, comendador Giuseppe Cipriano, marcando o início da fase Romana.
No início do mês de agosto de 2003, a Congregação deu parecer favorável, validando juridicamente o processo, com a conclusão do Positio (biografia resumida e contundente de Irmã Dulce). Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, a validação do Positio (que em latim significa posição em que se encontra o processo) representa a aprovação preliminar da Causa quanto à sua Canonicidade. “Concluída esta etapa, a Congregação passa à fase do Estudo Teológico das Virtudes Cristãs de Irmã Dulce. São examinadas, em pormenores, as virtudes sobrenaturais (como fé, esperança e, principalmente, caridade) e as demais virtudes que compõem a vida cristã da religiosa, a fim de que o reconhecimento da Igreja signifique, de fato, um exemplo a ser apresentado e seguido pelos fiéis”, explica o cardeal.
Para o postulador da Causa, Frei Paolo Lombardo, o processo de Beatificação e Canonização de Irmã Dulce será bem sucedido, porque lhe não faltaram depoimentos para atender a uma das maiores exigências da Congregação: a comprovação das virtudes daquele que pode ser elevado ao grau de santo. Conforme atesta o museólogo Osvaldo Gouveia, presidente da Comissão Histórica do processo, a participação popular foi realmente fundamental para o bom encaminhamento da postulação. Pessoas de outros Estados, e até de outros países, se uniram aos baianos e se mobilizaram em prol da Causa, contribuindo com testemunhos, cartas, bilhetes e fotos, peças fundamentais na tarefa de reconstruir a trajetória de vida da religiosa.
O Postulador da Causa
Ligado a Ordem dos Frades Menores Franciscanos, Frei Paolo Lombardo é italiano, teólogo, doutor em Ciência Eclesiástica Oriental e ‘Arquimandrita’ (o equivalente ao título de Monsenhor na tradição latina) do Bispado da Diocese Bizantina de Piana degli Albanesi, Itália. É postulador de cerca de 80 causas de Beatificação e Canonização em todo o mundo pela Congregação das Causas dos Santos. No Brasil, além do processo de Irmã Dulce, é responsável por mais nove causas.
O milagre
A melhor novidade anunciada pelo presidente da CNBB refere-se à validade jurídica atribuída pela Congregação a um possível milagre sob a intercessão de Irmã Dulce. Apesar de não poder identificar a cidade brasileira onde este milagre teria ocorrido, a superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), Maria Rita Pontes, revelou que o estudo deste caso começou em janeiro de 2003, com instauração de um tribunal especial naquela cidade, composto, inclusive, por um perito médico.
“Em janeiro de 2000, uma jovem senhora deu à luz a um menino, de parto normal. Logo após o parto, ela teve uma hemorragia violenta. Por morar numa cidade do interior, onde, em geral, os hospitais não dispõem de muitos recursos, não se sabia se ela contaria com a quantidade de sangue necessária ao seu restabelecimento. Havia sangue suficiente, mas mesmo recebendo toda a transfusão, o quadro da senhora permaneceu gravíssimo. O padre da comunidade propôs, então, uma corrente de orações com todos os presentes, que pediram a intercessão de Irmã Dulce neste caso. A senhora se recuperou logo e foi transferida para a capital, onde recebeu os cuidados médicos suplementares. Hoje, ela e seu filho passam bem de saúde e todas as testemunhas ouvidas pelo tribunal - entre médicos, enfermeiros, auxiliares e familiares – foram enfáticos ao dizer que, devido ao grave quadro que ela apresentava, provavelmente faleceria. Ficou constatado, dessa forma, que tratava-se de um caso inusitado, em que houve a intercessão divina”, conta Maria Rita Pontes.
Segundo Dom Geraldo Majella, o milagre caracteriza-se por quatro pontos básicos: a instantaneidade (que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo), a perfeição ( que garante o atendimento completo e autêntico do pedido), a durabilidade (o que significa a permanência do benefício) e ser preternatural (isto é, que não pode ser explicado pela Ciência). “O possível milagre atribuído a Irmã Dulce já está sendo examinado pela Congregação, assim como o estudo das virtudes”, diz o cardeal, que lembra ainda a exigência da comprovação de, pelo menos, um milagre para a Beatificação da Irmã Dulce.
Hoje, o Memorial Irmã Dulce reúne, aproximadamente, 3.000 relatos documentados de graças alcançadas e atribuídas à freira baiana, em sua maioria relacionadas à cura. De acordo com a superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce, Maria Rita Lopes Pontes, “há casos de pessoas desempregadas que conseguiram emprego, de mães que pediram a intercessão de Irmã Dulce para livrar seus filhos do uso de drogas, e muitos casos de cura de câncer. Porém, para que uma cura de câncer seja passível de análise pela Congregação, exige-se a passagem de 10 anos, o que caracterizaria a cura definitiva”.
Para que Irmã Dulce seja reconhecida pela Igreja como beata, é preciso que um milagre a ela atribuído seja confirmado pela Congregação para a Causa dos Santos. Após a Beatificação, é ainda necessária a comprovação de outro milagre, para que a religiosa seja elevada ao grau máximo de santa, pela Igreja Católica.
Uma vida dedicada a amar e servir
Irmã Dulce nasceu em 26 de maio de 1914, batizada com o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Aos sete anos perdeu sua mãe, que morreu aos 26 anos de idade. Ainda jovem, com apenas 13 anos, Maria Rita já atendia pessoas carentes na casa da família e manifestou, pela primeira vez, o desejo de dedicar-se à vida religiosa. Em 1933, ela ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em São Cristóvão (SE) e, um ano depois, foi ordenada freira, aos 20 anos de idade, recebendo o nome de Irmã Dulce em homenagem à sua mãe.
Nesse mesmo ano, fundou a União Operária São Francisco, o primeiro Movimento Cristão Operário da Bahia. Para expandir a assistência à população carente, iniciou, no ano seguinte, o atendimento direcionado às comunidades dos bairros de Alagados e Itapagipe. Criou um posto médico destinado aos operários moradores da Cidade Baixa, onde, tempos depois, se concentrariam as principais atividades da OSID. Foi nessa época que a imprensa passou a chamá-la de “Anjo dos Alagados”. A religiosa não tinha vergonha de pedir a ajuda a comerciantes e pessoas da comunidade para obter o sustento dos pobres que acolhia e são diversos os relatos de sua incansável peregrinação, de porta em porta, a procura de qualquer tipo de doação.
Em 1937, junto com o Frei Hildebrando Kruthaup, transforma a União Operária no Círculo Operário da Bahia, mantido com a arrecadação de três cinemas que ambos haviam construído através de doações – o Cine Roma, o Cine Plataforma e o Cine São Caetano. Em 1º de maio de 1939, Irmã Dulce inaugurava no bairro da Massaranduba, o Colégio Santo Antônio, uma escola pública voltada para operários e seus filhos.
Decidida continuar acolhendo os doentes que a procuravam (pois sua fama se espalhava pela cidade e muitos batiam à sua porta), Irmã Dulce passou a abrigá-los em casas abandonadas no velho Mercado do Peixe e nos Arcos do Bonfim. Depois dos primeiros cuidados, a freira saía em busca de alimentos, remédios e assistência médica, recebendo o apoio de profissionais amigos, pioneiros de uma longa lista de voluntários com presença marcante ainda hoje na instituição.
Mas foi no próprio convento das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição Mãe de Deus (implantado, desde 1948, no Largo de Roma, em Salvador), que a religiosa ganhou mais espaço para “seus” doentes (como ela os chamava, carinhosamente). Com a autorização da Madre Superiora, a Irmã Dulce transformou um antigo galinheiro num albergue improvisado, recebendo 70 doentes. O local seria o marco oficial, em 1960, do Albergue Santo Antônio, com 150 leitos.
Em 26 de maio de 1959, era constituída a Associação Obras Sociais Irmã Dulce, fruto da obstinação desta freira. O trabalho de Irmã Dulce impressionou, até mesmo o presidente da República, José Sarney, que em 1988, a indicou para o Prêmio Nobel da Paz, com o apoio da rainha Sílvia, da Suécia.
O agravamento dos problemas respiratórios que afetaram sua saúde durante seus últimos 30 anos de vida foi a causa do internamento da freira, em novembro de 1990. Com os pulmões comprometidos, Irmã Dulce viveu, durante três décadas, com apenas 30% de sua capacidade respiratória.
Foi no leito de enferma que ela recebeu a visita do Papa João Paulo II, em 1991, com quem havia se encontrado, pela primeira vez, em 1980, por ocasião da primeira visita do Santo Padre ao Brasil. Depois de 16 meses de internação, Irmã Dulce morreu, aos 77 anos, no Convento Santo Antônio, no dia 13 de março de 1992, uma sexta-feira. Foi sepultada na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa. Em 26 de maio de 2000, seguindo uma recomendação da Santa Sé (que indica que os candidatos a santos devam estar sepultados no local onde estabeleceram suas obras), os restos mortais de Irmã Dulce foram transladados para a Capela do Convento Santo Antônio, numa cerimônia prescrita pelo Vaticano, conduzida por Dom Geraldo Majella e acompanhada por religiosos e maciçamente pelo povo.
Hoje, o túmulo de Irmã Dulce é visitado diariamente, no horário das 8h às 18h, por dezenas de pessoas, inclusive turistas, vindos de outros Estados e outros países. De passagem pela capital baiana, eles procuram a instituição, interessados em conhecer mais a história do “Anjo Bom da Bahia”, exposta em seu Memorial.
Para relatar graças alcançadas, obter orações, mensagens ou material sobre a Causa de Beatificação e Canonização de Irmã Dulce, deve-se entrar em contato com:Comissão Pró-Beatificação
End: Av. Bonfim, nº 161, Largo de RomaSalvador – Bahia
CEP- 40420-000Fone: (71) 310-1261
Maiores informações, favor contatar-nos:Sergio Toniello / Bianca Ribeiro
Fones: (71) 9979-9162 / 9975-5593 / (54) 222-4071
Ass. Wilton Rocha.

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